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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O casamento e o relacionamento amoroso



O relacionamento sexual comprimido por leis, decretos, normas técnicas etc. é algo que gera taras e neuroses. O ser humano já carrega dentro de si instintos gregários que lhe impõem algumas normas de conduta, não tão severas quanto aquelas que recebemos de nossos ancestrais.
O casamento formal no ambiente de Estado é uma tentativa canhestra de imitação das uniões religiosas. É até cômico ver e ouvir Juízes de Paz dando sermões e criando encenações.
As cerimônias de casamento estão deixando de ser o que deveriam ser para se transformarem em espetáculos de mau gosto, entre muitas coisas transformando os convidados em “extras” de filmes sobre cerimônias luxuosas e simplórias.
No Brasil, um país gigantesco, multicultural e sem unidade além da língua e algumas coisas mais (?) a imposição de cerimônias e contratos é algo até ridículo, não deixando de ser natural o desprezo por leis feitas em ambientes distantes do povo.
A maior liberdade e a acessibilidade a sistemas de informação e lazer facilitam a dispersão de conceitos e certezas. A insistência em padrões do milênio passado vai se tornando ineficaz. Nossa sociedade emergente mergulha na frivolidade e em teatrinhos do ridículo (GIKOVATE).
É gratificante descobrir em um bom livro (Justiça) uma rápida, mas substancial análise com o título “CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO” (pgs. 314 a 321) e lembrar os conflitos entre profissionais religiosos e o esforço de se criar estados laicos por excelência.
No livro Justiça (citado) encontramos uma excelente análise sobre a importância do liberalismo moral e institucional, a autonomia dos cidadãos assim como seus direitos e deveres, tendo como cenário básico a situação da Justiça e o comportamento dos juristas dos EUA, excelente, mais ainda quando sentimos o Brasil derivando para ideologias totalitárias.
Acima de tudo é essencial a luta pela liberdade sem hipocrisias e atavismos, o casamento formal é um deles.
Nada mais lógico do que deixar a união cheia de juras eternas para as religiões, cada uma delas com seus contratos implícitos.
O Estado precisa se concentrar no que lhe é devido, ou seja, a proteção das crianças, aí sim, exigindo compromissos formais e severos daqueles que querem “casar de papel passado”.
Ou seja, temos aí um belo desafio de semântica e legal, como reinventar o casamento laico?
O que vemos, sabemos e sentimos é que nada resiste a vontades que mudam.
Pode-se fazer cerimônias fantásticas (a Casa Real Inglesa é especialista nisso) que o que parecia eterno dura pouco se faltar um conjunto de qualidades e condições de manutenção.  Até entre famílias altamente comprometidas com as lógicas mais solenes o casamento fracassa quando exposto a situações estranhas e simplesmente segue os ditames de glândulas e tentações eventualmente irresistíveis.
Naturalmente existem questões administrativas e de Direito que se avolumam quando duas ou mais pessoas resolvem coabitar. Isso pode ser resumido e contratado, proposto e acordado entre as partes no mundo laico, assim como os efeitos de instituições, leis e decretos estatais.
Nos templos o relacionamento ganha outros formatos, mas o que se faz lá deve permanecer no tribunal etéreo. As punições são tão severas após a morte que devem ser suficientes aos infratores crentes.
A hipocrisia é um câncer político e social.
Ao longo da história da Humanidade ela foi estimulada, pois era a base de dominação de classes mais “espertas”.
Devemos e podemos agora encarar a vida tal como ela é num Universo complexo e desafiador. Aos poucos os seres humanos mais estudiosos devem estar percebendo a nossa incapacidade de fazer afirmações morais a partir da vontade de seres que não somos capazes de entender.
Aqui a vida é suficientemente desafiadora para lhe acrescentarmos firulas em papel timbrado.
Sendo realistas, vamos rever cerimônias e rituais antigos e já distantes de suas motivações?
Com certeza o futuro do comportamento humano dependerá demais da evolução de sua inteligência, capacidade de raciocinar e ter coragem para assumir riscos, assim como dos mais antigos instintos. Os impulsos sexuais e o afeto decorrente de combinações sexuais possíveis é algo de extremo valor na sociedade humana. Por efeito de sua capacidade de evoluir intelectualmente o relacionamento humano está longe de se estabilizar.
O desafio, contudo, será sempre vencer convenções e preconceitos assim como ponderar de forma correta a importância de juras de amor eterno.
O impulso sexual, além de ser extremamente poderoso e onipresente, gera filhos e filhas. As crianças não escolhem seus pais, elas são o produto deles. Isso exige um padrão de responsabilidade absoluto.
Não há necessidade de festas, documentos, rituais, cerimônias religiosas e outras. Os pais simplesmente devem a obrigação de cuidar, alimentar, apoiar, proteger, amar seus filhos.
A paternidade e a maternidade afetam profundamente a vida dos casais.
A ciência moderna oferece inúmeras formas de prevenção da gravidez. Não existe desculpa em sociedades desenvolvidas para a irresponsabilidade.
O casamento dispensa festas e fantasiosas cerimônias;  gerando descendentes impõe maior atenção aos filhos e filhas. E os produtos dessas uniões não são brinquedos, troféus ou certificados de aposentadorias.
Qualquer pai ou mãe deveria passar por exames infinitamente mais rigorosos do que os aplicados a quem pretende dirigir.
A imaturidade e o mau-caratismo dominando jovens geram os desastres sociais que frequentemente conduzem os futuros jovens à delinquência e à inutilidade.
O Casamento é absolutamente desnecessário dentro de padrões formais, mas é essencial à dignidade humana em relação a seus efeitos.
Ignorar a importância do que se tem ao se tornar pai ou mãe é ato de extrema insanidade ou maldade.
Não existe desculpa ou frase que redima a preguiça, a alienação, o desprezo dos geradores de crianças.

O casamento, portanto, não é um ato religioso, laico, filosófico, é antes de mais nada o compromisso de levar com o máximo de seriedade o que produzir a partir do ato sexual: os filhos e filhas.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Reinventando o casamento

A desestatização do casamento
O casamento formal no ambiente de Estado é uma tentativa canhestra de imitação das uniões religiosas. É até cômico ver e ouvir Juízes de Paz dando sermões e criando encenações.
As cerimônias de casamento estão deixando de ser o que deveriam ser para se transformarem em espetáculos de mau gosto, entre muitas coisas transformando os convidados em “extras” de filmes sobre cerimônias luxuosas e simplórias.
No Brasil, um país gigantesco, multicultural e sem unidade além da língua e algumas coisas mais (?) a imposição de cerimônias e contratos é algo até ridículo, não deixando de ser natural o desprezo por leis feitas em ambientes distantes do povo.
A maior liberdade e a acessibilidade a sistemas de informação e lazer facilitam a dispersão de conceitos e certezas. A insistência em padrões do milênio passado vai se tornando ineficaz. Nossa sociedade emergente mergulha na frivolidade e em teatrinhos do ridículo (GIKOVATE, 2014).
É gratificante descobrir em um bom livro (Justiça, 2013) uma rápida, mas substancial análise com o título “CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO” (pgs. 314 a 321) e lembrar os conflitos entre profissionais religiosos e o esforço de se criar estados laicos por excelência.
No livro Justiça (citado) encontramos uma excelente análise sobre a importância do liberalismo moral e institucional, a autonomia dos cidadãos assim como seus direitos e deveres, tendo como cenário básico a situação da Justiça e o comportamento dos juristas dos EUA, excelente, mais ainda quando sentimos o Brasil derivando para ideologias totalitárias.
Acima de tudo é essencial a luta pela liberdade sem hipocrisias e atavismos, o casamento formal é um deles.
Nada mais lógico do que deixar a união cheia de juras eternas para as religiões, cada uma delas com seus contratos implícitos.
O Estado precisa se concentrar no que lhe é devido, ou seja, a proteção das crianças, aí sim, exigindo compromissos formais e severos daqueles que querem “casar de papel passado”.
Ou seja, temos aí um belo desafio de semântica e legal, como reinventar o casamento laico?
O que vemos, sabemos e sentimos é que nada resiste a vontades que mudam.
Pode-se fazer cerimônias fantásticas (a Casa Real Inglesa é especialista nisso) que o que parecia eterno dura pouco se faltar um conjunto de qualidades e condições de manutenção.  Até entre famílias altamente comprometidas com as lógicas mais solenes o casamento fracassa quando exposto a situações estranhas e simplesmente segue os ditames de glândulas e tentações eventualmente irresistíveis.
Naturalmente existem questões administrativas e de Direito que se avolumam quando duas ou mais pessoas resolvem coabitar. Isso pode ser resumido e contratado, proposto e acordado entre as partes no mundo laico, assim como os efeitos de instituições, leis e decretos estatais.
Nos templos o relacionamento ganha outros formatos, mas o que se faz lá deve permanecer no tribunal etéreo. As punições são tão severas após a morte que devem ser suficientes aos infratores crentes.
A hipocrisia é um câncer político e social.
Ao longo da história da Humanidade ela foi estimulada, pois era a base de dominação de classes mais “espertas”.
Devemos e podemos agora encarar a vida tal como ela é num Universo complexo e desafiador. Aos poucos os seres humanos mais estudiosos devem estar percebendo a nossa incapacidade de fazer afirmações morais a partir da vontade de seres que não somos capazes de entender.
Aqui a vida é suficientemente desafiadora para lhe acrescentarmos firulas em papel timbrado.
Sendo realistas, vamos rever cerimônias e rituais antigos e já distantes de suas motivações?

Cascaes
2.2.2014
GIKOVATE, F. (29 de 1 de 2014). O CONSUMISMO DA ELITE É DESESPERO. Fonte: ÉPOCA NEGÓCIOS: http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2014/01/o-consumismo-da-elite-e-desespero.html
Sandel, M. J. (2013). Justiça (12 ed.). (M. A. Heloísa Mathias, Trad.) Civilização Brasileira.



segunda-feira, 18 de março de 2013

A exploração política e policial dos "escândalos sexuais"

Vexames e comportamento da CDHM


Diversidade e inteligência sexual
O episódio envolvendo a nomeação de um personagem com indícios de fanatismo religioso e pronunciamentos racistas para uma comissão (PSC decide manter Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos, 2013) incompatível com suas características pessoais (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) demonstra a incoerência do sistema representativo existente no Brasil numa federação de estados mais e mais desacreditada. Pior ainda, é uma ilustração da ignorância ou má fé daqueles que o elegeram para esse cargo.
Seria falta de inteligência sexual, social, cidadania, cultura, fanatismo religioso ou simples sectarismo da maioria dos deputados deste grupo (Comissão de Direitos Humanos e Minorias - CDHM) tão importante ao Brasil?
Manda a cultura universal e o nível de conhecimentos humanos atuais assim como a defesa do direito de qualquer ser humano ter sua própria opção sexual assim como não ser estigmatizado por suas características naturais, algo que o Sua. Excia. Deputado Marco Feliciano despreza publicamente. O que aconteceu?
É bom saber que a CDHM tem as seguintes atribuições:
Suas atribuições constitucionais e regimentais são receber, avaliar e investigar denúncias de violações de direitos humanos; discutir e votar propostas legislativas relativas à sua área temática; fiscalizar e acompanhar a execução de programas governamentais do setor; colaborar com entidades não-governamentais; realizar pesquisas e estudos relativos à situação dos direitos humanos no Brasil e no mundo, inclusive para efeito de divulgação pública e fornecimento de subsídios para as demais Comissões da Casa; além de cuidar dos assuntos referentes às minorias étnicas e sociais, especialmente aos índios e às comunidades indígenas, a preservação e proteção das culturas populares e étnicas do País.
...
O principal objetivo da CDH é contribuir para a afirmação dos direitos humanos. Parte do princípio de que toda a pessoa humana possui direitos básicos e inalienáveis que devem ser protegidos pelos Estados e por toda a comunidade internacional. Tais direitos estão inscritos em textos e diplomas importantes de direitos humanos, que foram construídos através dos tempos, como são, no âmbito da ONU, a Declaração Universal dos Direitos  Humanos (1948) e, no âmbito da OEA, a Declaração Americana de Direitos Humanos (1948). O Brasil é signatário desses e de outros instrumentos internacionais, o que significa que assumiu compromissos com os direitos humanos perante a Humanidade e diante de seu povo.

A história da Humanidade tem mais esse capítulo justamente no Brasil, que vergonha.
Tudo isso demonstra mais uma vez a importância da escola laica e da educação plena, universal, sem sectarismos de qualquer espécie. Isso seria democracia.
Tristemente vemos a desmoralização crescente do Congresso Nacional, por quê?
Educar é função também da escola convencional. Num país com famílias destroçadas e uma percentagem crescente de mães e pais trabalhando, passando o dia fora por uma ou outra razão, o sistema educacional deve aprofundar a Educação e não simplesmente o ensino das ciências básicas, formais.
Precisamos de cidadãos coerentes com a nossa realidade.
O Brasil felizmente não é um país subordinado à cultura única, é multirracial, contém inúmeras religiões e seitas paralelas, comportamentos radicalmente diferentes de norte a sul, leste a oeste, ótimo, assim é mais difícil a dominação de qualquer organização. Talvez isso esteja mudando, para pior.

Cascaes
18.3.2013

Comissão de Direitos Humanos e Minorias. (s.d.). Fonte: Câmara dos Deputados: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/conheca-a-comissao
Comissão de Direitos Humanos e Minorias - CDHM. (s.d.). Acesso em 18 de 3 de 2013, disponível em Câmara dos Deputados: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/conheca-a-comissao/membros
Passarinho, N. (12 de 3 de 2013). PSC decide manter Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos. Fonte: G1 Política: http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/03/psc-decide-manter-feliciano-frente-da-comissao-de-direitos-humanos.html



A evolução do relacionamento sexual e a felicidade



Maravilhosamente no Brasil podemos, finalmente, encontrar ou comprar até pela internet (ou baixar arquivos semelhantes) livros excelentes e sem censura. A Humanidade demorou para chegar a esse ponto, ou melhor, uma fração dela pois a miséria material e (ou) cultural ainda mantem grande parte dos seres humanos na ignorância. Deve até assustar ditadores religiosos ou políticos a possibilidade de maior acesso à cultura pelas redes sociais, emails, e-books, emissoras de rádio e TV e até pelo contato com turistas.
Só agora, depois de séculos após a invenção da imprensa e generalização da arte da escrita e leitura, podemos encontrar certa tranquilidade para ler, estudar e aprender o que quisermos. Sempre é bom lembrar os rituais de queima de livros e a proibição de difusão de leitura “subversiva”...
Precisamos acreditar na liberdade e na capacidade humana de fazer boas escolhas, ainda que alguns, por problemas pessoais, familiares ou sociais se deixem dominar pela pior leitura.
Existem agora livros tratando de uma imensa gama de temas e disciplinas. O interessante é a dificuldade de encontrar trabalhos dedicados ao sexo inteligente associado ao amor. A necessidade de praticá-lo é evidente nas perturbações que acontecem quando pessoas até inteligentes procuram reprimir algo tão natural. O que espanta, mais ainda, é a ignorância da associação do instinto sexual ao relacionamento com a pessoa amada, algo que destrói muitos casamentos e famílias.
Precisamos ensinar nossos filhos, netos, bisnetos a serem felizes, assim como o educador tem o tremendo desafio de colocar essas questões de forma objetiva e ao mesmo tempo respeitando e fortalecendo a sensibilidade poética e romântica das pessoas. Estamos preparados para esse tipo de aula?
As estatísticas demonstram problemas sociais gravíssimos em nosso país. A gravidez precoce, a escravidão da mulher, a violência contra a mulher (Ações ODM em Curitiba e RMC), a frieza masculina e a destruição de relacionamentos que começaram tão bem, acabando, contudo, em duelos violentos e desmoralização recíproca.
Por que a união estável é difícil?
Podemos e devemos perguntar a esses pares se souberam cultivar o relacionamento sexual de forma inteligente, associando-o de forma adequada à cultura do casal. É fácil perceber quando isso não acontece. A brutalidade ou a frieza crescem e a separação torna-se até necessária.
Estamos em tempos consumistas, ególatras e de ostentação, esquecemos a humildade, a sensibilidade das pessoas, os carinhos e agrados tão necessários a uma vida feliz.
Parece que a alegria só é possível com luzes e sons fortes, bebidas e sentimentos estimulados artificialmente. Será que ao amadurecer, envelhecer e parar para pensar terá sido um conjunto de lembranças gratificantes?
Precisamos pensar no conjunto e quando, nos momentos mais íntimos, aplicar nossos instintos de forma gratificante e estimulante de bons sentimentos. Para isso é fundamental conhecer a pessoa com quem estamos e vice versa. De alguma forma impõe-se a recuperação de fantasias poéticas, românticas e delicadas, a menos que as pessoas sejam sadomasoquistas. Afinal entre os dois extremos de definição sexual e comportamental existem universos de alternativas...
Tratar o relacionamento humano de forma ampla e sem preocupações atávicas é fundamental à evolução humana.
A inteligência sexual, tendo como base um instinto humano, deve ser cultivada com arte e competência.

Cascaes
18.3.2013
Cascaes, J. C. (s.d.). Fonte: Ações ODM em Curitiba e RMC: http://odmcuritiba.blogspot.com.br/




A felicidade e o sexo inteligente



A alegria de viver é o melhor remédio natural para qualquer doença. Amarguras, rancores e prazeres contidos criam neuroses, patologias de toda espécie.
Vivemos sob o império da mídia comercial, ideológica e religiosa, isso afasta o ser humano da sensibilidade que poderia desenvolver em torno de seus sentidos, necessidades básicas e comportamentos realmente inteligentes.
É fácil perceber a tristeza e doenças psicossociais decorrentes de inibições danosas aos seres humanos. Mais ainda, a dominação de populações inteiras a vontades de tiranos e demagogos, sempre empurrando em direção a seus planos pessoais a ansiedade de pessoas insatisfeitas, travadas por processos educacionais restritivos e fantasmas tradicionais.
Graças às redes sociais e à liberdade de imprensa e de expressão onde existir temos um cenário positivo a favor de mudanças saudáveis, se conseguirmos romper com tradições que se fossem boas teriam construído um mundo infinitamente melhor.
Freud, principalmente, passou a vida descobrindo e explicando a importância do relacionamento sexual. Vivia em plena cultura restritiva à sinceridade comportamental, sofreu com isso, mas teve coragem de escrever e analisar as perversões provocadas por traumas e travas da natureza humana.
Agora as prateleiras de livrarias e programas de rádio e TV mostram o oposto, a liberdade atlética do sexo. Dá mídia falar e mostrar intimidades, criando-se um processo de vulgarização do principal instinto animal que trazemos desde que nascemos. Sem sexo não existiríamos e com ele perdemos muito à medida que não soubermos fazer da atração entre seres humanos algo sublime, inteligente, bem cultivado.
Pregadores religiosos do tempo das pirâmides descobriram que satanizar o sexo era uma maneira de criar sentimentos de culpa, que bem explorados rendiam dividendos. Essa estratégia existe até hoje e pode até crescer em violência, que pena!
Entender e explorar o que nosso corpo e a mente desejam é uma arte. Não simplesmente um catálogo de posições e taras, mas de carinhos, poesias, palavras e movimentos que fortalecem o amor, algo inestimável quando atinge um padrão maduro e fortalece relações familiares e sociais.
Pessoas infelizes são perigosas para elas e para o ambiente em que vivem, afinal, a tristeza pode se transformar em agressividade, algo que os generais conhecem bem.
Do passado, contudo, em algumas sociedades mais desenvolvidas tínhamos o relacionamento cortês, poético e romântico. Parece que o processo de transformação das relações de sexo está dizimando a educação, criando situações grosseiras e educando as pessoas para serem simples consumidoras de energéticos, sedativos, calmantes e processos de entorpecimento da inteligência, como são as famosas baladas extremamente barulhentas e sem outro sentido que criar oportunidades de aproximações sem compromisso, pode?
Ganha-se liberdade sexual, perde-se inteligência.
A infelicidade é uma consequência natural de relações artificiais, frustradas, mal construídas. O encantamento recíproco é fundamental, e para isso começa com sutilezas que cobramos para admiração e muito amor por alguém.
Podemos optar pelo presente, pela esfuziante alegria de alguns momentos, e no futuro?
A saúde e o tempo se encarregam de cobrar uma estrutura de afeto perene, sustentável.
Para um bom relacionamento devemos saber cativar, manter e explorar com inteligência as armas instintivas, afinal é o alimento natural da felicidade.
Vamos pensar em inteligência sexual?

Cascaes
18.3.2013





Inteligência sexual e a vida feliz e saudável



Nascemos e crescemos em ambientes repressivos. Tão violentos que despertavam curiosidades, desvios e riscos à saúde física e mental.
O desejo sexual, que aos poucos vai se intensificando com a idade, foi, para mim, motivo de abandono da religião que aceitei por influência materna. Não entendia como algo tão forte e natural pudesse ser a base de tantos pecados. Antes de ficar neurótico decidi não assumir qualquer religião, ser apenas atento às questões da Natureza, procurando entendê-la, ser feliz e viver em paz com a minha consciência.
Lendo, estudando, procurando avidamente livros, bons livros de filosofia, psicologia, sociologia e até política pude convergir para algumas conclusões que aos 68 anos atrevo-me a dizer, mais ainda vendo com tristeza tantos escândalos dentro de instituições que teimam em manter padrões antinaturais de comportamento e a tristeza e frustrações de pessoas que amo.
A Natureza ensina. Quem já criou passarinhos deve se lembrar do relacionamento e acasalamento dos Psitaciformes, ou seja: papagaios, periquitos, araras, etc..
Se existe algo que vale ficar olhando durante o dia e até ao anoitecer é o afeto que desenvolvem entre si, formando casais que duram enquanto estiverem vivos. O jogo sexual é intenso culminando com a cópula, mas cultivada permanentemente num relacionamento charmoso, maravilhoso.
Podemos perguntar, e os seres humanos que se dizem racionais?
Desde a antiguidade o medo é a principal marca da Humanidade. Frágil diante dos fenômenos naturais tinha, por exemplo, no sacrifício ritual de seres semelhantes a principal arma de negociação com o que imaginava como deuses, espíritos, seres superiores enfim. Paralelamente, na preocupação de disciplinar, dominar e criar padrões de avaliação de submissão criaram rituais e regras sociais que demonstrassem “temor a Deus(es)”. Essa arma de dominação é tão eficaz que até hoje, pleno século 21, tempo de intensa comunicação, é aceita e aplicada sem limites.
O resultado de tudo isso é a infelicidade provocada por taras, neuroses, comportamentos antissociais e até guerras “santas”.
É até interessante ver nas prateleiras das livrarias a falta de livros sobre inteligência sexual, carícias e afeto. O relacionamento humano virou um BBB permanente, onde atletas do sexo de diversos tipos se vangloriam simplesmente de “fazer sexo”, sem amor, sem preocupação com o parceiro.
Quanta estupidez!
A felicidade é o grande desafio de qualquer pessoa, comunidade, nação e de todos os povos, felicidade não agressiva, da contemplativa à sexual. Temos muitos trabalhos, excelentes obras literárias chamando a atenção para propostas paralelas, falta, contudo, um tratado sobre o bom relacionamento sexual, afetivo e carinhoso.
É típico das mulheres sonharem com príncipes encantados. Eles podem existir com qualquer cara, roupa, educação desde que saibam se relacionar com elegância e dedicação à parceira, e vice versa.
Quantos homens nascem, crescem, casam, vivem e morrem sem nunca terem experimentado carinhos sexuais na sua plenitude. Por quê? Com certeza principalmente as mulheres de “boas famílias” são ainda, frequentemente, educadas para se comportarem virtuosamente, escondendo seus desejos, tratando o sexo como algo nojento, apenas necessário para a procriação. O resultado disso é fácil de ver em bordéis e aventuras extraconjugais, onde todos se soltam sem medo de ofender e desafiando os deuses, aos quais pagarão penitências, farão doações, confissões e assim por diante.
Queremos, precisamos discutir com profundidade o sexo com amor, carinho e encantamento. Isso não é usar cosméticos e roupas complicadas, é simplesmente aprender e cultivar a sensibilidade das pessoas que nos atraem sexualmente.

Cascaes
18.3.2013